A minha passagem de trem, por pura sorte, tinha validade pra dois dias (sexta e sábado, dias 11 e 12) e a baldeação em Berlim seria de duas horas... eu não queria ficar lá fazendo nada.
Havia uma excursão do ISN (International Students Network) para levar os intercambistas a capital. Eu já sabia dessa viagem antes mesmo de ter ido pra lá no mês passado, mas particularmente, não gosto de viajar para lugares novos em grandes grupos.. mas nesse caso a situação era diferente...
Fui a Berlim sem planos e com um único objetivo: Aquela noite, queria ir ao Tacheles (o prédio todo pichado, repleto de galerias de arte) e tomar pelo menos uma cerveja.
Encontrei todos eles na estação de trem. Fomos ao albergue em que eles ficariam.
O ISN havia marcado uma festa para eles aquela noite... e pelo visto, não sou só eu que não dou mais bola pros eventos deles. Fomos um grupo de dez ao Tacheles:
Foi quando eu abri minha Beck’s meio litro e dei o primeiro gole que senti a tensão ir embora. Estava de volta, confortável... e claro: livre!
Aproveitaria o dia seguinte lá pra preencher algumas lacunas deixadas na primeira ida a cidade e claro, rever outros.
Grudados:
Eu já disse que não gosto de viajar em grandes grupos?
Existem diversos motivos. Um deles é: Pessoas que Nascem Grudadas!
Havia um casal muito afoito para chegar na festa antes da meia-noite, pois entraríamos de graça. O resto do grupo estava ali, sem se importar com a festa...
Às 22:30 começou: “Precisamos ir daqui a pouco hein...” e foi às 22:50, que gentilmente –e já sem paciência- sugeri: “Por que vocês não vão na frente pra garantir a sua entrada? Agente vai mais tarde e tenta entrar... se não der, não deu”
Mas é claro que não, afinal, ficar apressando os outros é muito mais prazeroso..
Perco o amigo mas não a piada:
Não teve como evitar.. as piadinhas do meu carcere começaram ali mesmo!
Eu já estava tranquilo e levei tudo numa boa. Mas parecia que tudo conspirava para alimentar as brincadeiras. Não sei por que motivo, mas a cidade estava repleta de policias!! Todas as esquinas e praças com viaturas e patrulhas, e como se não parasse por ai, quando chegamos ao Brandenburger Tor (portal símbolo da cidade) havia uma manifestação em pró dos direitos humanos e o que eles tinham??? Uma cela!!
Claro que eu não iria tirar foto lá, mas bastou eu dar uma olhada que tiraram logo uma foto (a qual não tenho!)
Muro:
De volta ao muro, procurei minha primeira inscrição, a qual me rendeu o rasgo na calça ainda não recusturada.. mas claro que não a encontrei!
Fizemos uma nossa... mas a idéia de levantar alguém no ombro não foi tão boa dessa vez, já que o lituano não era tão levinho quanto a Ana e pareceu se dedicar um tanto mais ao desenho:
Voltei no último trem pra Braunschweig, sem mais a sensação de final de semana perdido..
Valeu a pena o stop em Berlim!
A idéia de ir a Polônia surgiu a três semanas, e por duas vezes já melou.
Dessa vez eu não ia deixar de ir!
Não havia gente suficiente pra alugar um carro, conforme plano original, e resolvemos os três ir de ônibus na sexta à noite.
Quinta a tarde (10.Junho) estou eu e um brasileiro no meu quarto, com a nobre missão de tomar um barril de cerveja antes do evento noturno e eis que recebo a mensagem de que a garota desistiu de ir. Pego meu celular: Flávio: Você tem aula sexta? Mustafa: Não Flávio: Vamos hoje então?
Na correria, entrei na internet, pesquisei preços, comprei as passagens de ida, as imprimi e joguei duas mudas de roupa na mochila..
Recebemos um reforço para conclusão da missão barril e vou correndo pegar o ônibus para rodoviária.
Só pra confirmar, verifico no caminho se a passagem está na mochila e:
Putz, comprei pro dia errado!
Escolhi o dia no menu inicial, mas depois na hora da compra não conferi a data e mandei ver..
Voltei pra casa e deixei pra ir no dia seguinte? Claro que não... tentei dar um belo migué na história e adivinha só? Conseguimos embarcar!!
O motorista olhou o papel e fez sinal pra embarcarmos.. se viu o erro ou não eu não sei dizer, o que importa é que estávamos lá.
O trajeto:
Sem lugar marcado, perguntei a um senhor se o lugar ao lado dele estava livre e sentei. A repercussão foi um o senhorzinho falando em polonês e apontando para eu sentar em outro lugar...
Fui parar no último banco espremido entre um rapaz de dimensões superiores a um assento e uma moça deita em outros dois.
Pra entreter as próximas 12 horas prevista de viagem, um filme com uma dublagem muito peculiar:
O personagem falava em inglês e surgia, segundos depois, uma voz masculina em polonês sobre esta.
Outro personagem fala, e a MESMA voz, em um tom inalterado e desprovido de qualquer interpretação, traduz a fala.
Fronteira:
Depois de aproximadamente 4horas de viagem, chegamos a fronteira entre Alemanha e Polônia. O ônibus encosta num grande posto de gasolina. Hora do lanche... Opa, não exatamente: Sobem no onibus dois oficiais polonêses solicitando passaporte dos passageiros.
Nem precisei pegar minha mochila... como num estalo de memória, percebi que havia esquecido completamente de trazer meu passaporte comigo!!
E foi mais ou menos assim que eu fui preso...
Em portugês:preso
Inglês: arrested/jailed
Alemão: inhaftiert
e claro, em polonês: zatrzymanie
adj preso, presa ['prezu, 'prezɐ] 1 detido em prisão 2 encerrado num local fechado 3 atado, ligado 4 bloqueado, impedido de se deslocar
subst preso, presa - pessoa que cumpre pena de prisão
Sim preso...
Preso de tirar foto no fundo branco...
Preso de fornecer digitais dos 10 dedos e ainda da mão fechada...
Preso de ficar na cela sem o cadaço dos tênis...
Preso... ainda não se acostumou com a palavra?!
Imagine eu!
X --- X --- // --- X --- X
Quando fui avisado que deveria pegar minha passagem e descer do ônibus, meu amigo veio junto: Policial: Você tem passaporte. Não precisa descer. Mustafa: Mas nós estamos viajando juntos.. Policial: Você pode continuar viajando. Mustafa: Mas nós viemos juntos. Eu prefiro ir com ele. O Policial aponta pra viatura e diz: Isto aqui não é um taxi... Você precisa voltar para o seu ônibus.
Fui eu quem me recuperei primeiro desse beeeelo fora! - Vai lá Mustafa. Você segue viagem, que eu vou voltar pra Braunschweig, pego meu passaporte lá em casa e, amanhã à noite, pego o outro ônibus pra ir te encontrar. (Uma vez que eu já tinha a passagem original pro dia errado, bastava re imprimi-la!)
A viatura sai da rodovia e seguiu caminho no meio do matagal.. Pela minha cultura brasileira, fiquei contente ao chegar no quartel e não num cativeiro! Um dos dois policias estava extremamente transtornado com o fato de precisar me prender e alternava as falas comigo e com sigo mesmo: “Você não está com seu passaporte ai? Não?? Como?! Como alguém viaja sem passaporte...”
Assinei uns papeis, em português, sobre meus direitos enquanto detento. Passei por uma revista intima, tipo clássico no Maracanã (aquilo é muito íntimo!). Por um momento pensei que até fosse rolar um suborno: - Você tem dinheiro? - Sim!! - Quanto? Abro a carteira: 10 euros!! Catei mais na mochila: Opa, tem mais 20 aqui!
Fui autorizado a guardar a carteira na mochila, assinei outro papel dizendo que não precisava de acompanhamento médico e me avisaram que pela manhã viria uma interprete que falasse inglês. Então, jaula...
Que bonito! Minha cela era sol da manhã com vista pra um bosque... Quando o dia já estava suficientemente claro, e eu ansioso por voltar logo pra casa e pegar meu passaporte, pedi para ir ao banheiro e como quem não quer nada, tentar me informar sobre a tal intérprete...
Da mesma forma que pra mim, o fato de ter dormido na cadeia era um tanto chocante, com o inicio do horário administrativo, percebi que o acontecimento de alguém ser tão burro a ponto de viajar sem passaporte também impressionava muita gente.
O superior (não sei patente!), após me perguntar se eu realmente tinha esquecido o passaporte, me disse que estava tentando chamar a intérprete e perguntou se eu falava alguma outra língua bem. “Português e espanhol” – falei já sem esperança de que isso fosse ajudar alguma coisa na Polônia. A cara que ele fez em seguida me deixou claro que iria mofar lá esperando... o que resultou no complemento “Mas eu posso fazer também em alemão. Não é nenhum problema!”.
O clima era de que em algum momento algum deles iria se irritar com tudo aquilo, me dar minha mochila e falar: “A Alemanha é pra lá.. sai daqui!”
Ficou acertado assim então: ele que falava alemão, me faria as perguntas e escreveria o relatório em polonês.
De volta a cela.. café da manhã: chá e dois pães com manteiga e queijo.
Fiquei lá um tempo. Pode ter sido uma hora ou três... é um tanto difícil saber quando não se está fazendo nada. Fui a outra sala fazer o relatório. Almocei lá: batatas fritas, salsicha e salada. Paguei uma taxa de 8euros pelo sei lá o que e fui avisado que a polícia alemã viria me pegar às 15hr.
Pontuais como bons alemães... faltavam algumas coisas pra assinar, rever no relatório e fui conduzido para fora do quartel pela minha guarda de resgate alemã: 7 oficiais e duas viaturas!
Pela primeira vez do tempo que estou aqui, senti a Alemanha como um “lar”. Voltei aliviado naquele papo furado sobre quem eu sou, que eu faço aqui e tal..
Desembarque na cidade alemã de Forst Lausitz e liberdade... "Você estava sem passaporte?! Aqui na Alemanha agente cobra uma multa por andar sem passaporte. 15euros."
P%RR#@!/~]... nenhum valor monetário poderia ser mais educativo do que um dia de prisão!! Eu já entendi: Leve seu passaporte!!
Cheguei, finalmente, a estação de trem e não importava qual eu pegasse, chegaria em Baunschweig depois do horário de saída do ônibus a Cracóvia...
Comprei a passagem simples, já que não tinha jeito. Na plataforma conferi o itinerário:
Já que passa em Berlim, porque não passar a noite por lá? Eu só não queria mesmo, naquele momento, era ficar 7hrs num trem pra voltar pra casa.. -
Lembra da obra na fachada do meu prédio?
Procede..
Hoje foi o recorde matinal: 6:55h foi o horário que o indivíduo achou adequado vir usar a furadeira na minha janela!!
A convivência está se tornando insuportável e idéias vingativas começam a brotar na minha mente, do tipo: (i) encher a lata de lixo com água (tendo ou não lixo) e proporcionar ao trabalhador um banho matinal; (ii) pendurar meias e cuecas sujas na janela propiciando um harmonioso local de trabalho; (iii) e aproveitando o clima de Copa, porque não comprar uma vovuzela? e toca-la o quanto mais alto possível no ouvido deles!!
Havia comprado um pacote a um tempo e resolvi cozinhar essa semana e pra poupar tempo, fiz logo 400g.
Quando ele deveria estar pronto, ainda estava meio duro... põe mais água!
No final, ficou todo grudado!
Quando lhe faltar habilidade, seja criativo!
Peguei um filé de frango e picotei em cubos. Fritei com cebola e casca de tomate no molho shoyo e pimenta. Coloquei o miolo do tomate no arroz.
Eu, particularmente, preciso de um local pra chamar de MEU! (e você não?!)
Aqui esse espaço, não poderia ser outro, se não meu quarto..
Há um tempo que me incomoda morar nesse grande L vazio e mal iluminado.
Já tentei por diversas vezes adquirir algo nas lojas de 1euro ou mesmo no mercado, mas nada que realmente eu quisesse. Não quero gastar dinheiro com um monte de quinquilharia e que depois terei que me desfazer.
Resolvi então decorar meu quarto com folhas de papel!
Não é papel parede, é folha mesmo:
Não sei bem como começou a idéia..
Talvez tenha uma primeira influência dos postais do Lobo (é uma pessoa, pros que não o conhecem) e seu painel da Loesje (http://www.loesje.org/) na sala do alojamento que me fizeram querer imprimir algumas também; mas certamente a idéia se concretizou naquela caminhada de madrugada em Berlim, de volta ao albergue, vendo os desenhos no ex-Muro que me trouxe o conceito de múltiplas livres expressões.
O que eu fiz:
Comprei um monte de folhas de 5cents das mais diversas cores.
O que os outros fazem:
Dou o pacote a pessoa e esta elege a cor que preferir – e quantas folhas deseje.
Ali se pode fazer o que quiser: escrever, desenhar, recortar o papel... é com ela!
Se no final meu quarto ficar horroroso, é culpa dos outros e não minha!
Não há um tema, nenhuma frase inicial, algo que os oriente.
Pode ser qualquer coisa, em qualquer idioma: frases de filmes, desenhos livres, citações de livro ou sua própria, um ditado popular, aquela frase que sua mãe sempre lhe diz... qualquer coisa que tenha algum valor ao indivíduo!
-x- Não uma mensagem pra mim –x-
Quando pronto, sou avisado – nunca a cobro, escreve quem quer. A pessoa vem ao quarto e escolhe onde a colocar.
A única restrição é: Não coloque dentro do banheiro! Porque ai sua livre expressão vai-se embora com o vapor do meu banho quente!
Coloquei eu a primeira:
E assim comecei a colocar as folhas de todos esses com quem escolhi conviver.
Depois de quase uma semana com diversas folhas distribuídas e somente três na parede, finalmente para o fim da minha ansiedade vieram algumas mais:
É claro que nem todos escutaram a parte de que a mensagem NÃO é pra mim. Portanto, agora tenho por aqui várias folhas com meu nome escrito caso eu o esqueça algum dia..
Como já disse antes: entrega a folha quem quer... e talvez você também o queira, então por que não?
Bienroder Weg 54, Zimmer 2910
38108 Braunschweig
Alemanha/Deutschland/Germany
Coloque meu nome num envelope de carta normal (ou não entrará na minha caixa de correio) e no verso da folha, seu nome e data; e NÃO escreva nada do tipo “Querido Flavinho...” pra me poupar o trabalho de picotá-lo e atear fogo.
Esse final de semana teve no meu alojamento um tímido festival de rock.
Teve até a adesão de outros intercambistas que se deslocaram atéee aqui!
Uhuuu
Dois dias, sexta e sábado, com shows alternados em dois palcos – um dentro do cinema do alojamento e outro no gramado, ao ar livre.
Integração Local:
Passei a tarde, na varanda, com os alemães do meu andar onde fui avisado que eles comprariam cerveja pra algum tipo de “brincadeira” mais tarde.
Venho ao meu quarto dar a tradicional cochilada da tarde...
Acordo pro churrasco pré-festival - de volta a varanda.
“Você só chegou agora. A gente já tomou a cerveja..”
- até ai, nada mais do que a amistosa convivência –
“... mas tem uma pra você!”
E eis que surge uma lata de meio litro!
Tentei evitar por diversos métodos:
- Incapacidade pessoal: “não consigo”
- Ganhar tempo: “mais tarde..”
- Apelo comunitário “só se todo mundo beber de novo!”
Não deu!
Meus pais me ensinaram a sempre ser educado! Seria uma desfeita não aceitar – ainda mais se tratando de uma cerveja.
Dedico esse momento a todas minhas Sementinhas do Mal – sim, você ai da Ambiental! Obrigado pelo intenso “treinamento” durante todos esses anos...
Portanto: lata de 500mL a mão;
furo no fundo;
boca no furo,;
garganta aberta;
abre a lata por cima;
e deixa a gravidade faz o resto...
Se isso não significa estar integrado ao grupo, não sei mais o que é..
Se você vai viajar um mês e possui um cachorro, gato, peixe, cobra, tatu, etc que precise de cuidados: Pode deixar comigo e viajar tranqüilo!
Se você vai viajar um feriado e tem uma planta que precisa ser regada: sugiro procurar outra pessoa...
Após assassinar duas plantas: uma por “cozinhamento” via calefação e a outra, provavelmente, por afogamento, eis que adquiro uma terceira:
Dois meses e meio sem cortar o cabelo.. lá fui eu aproveitar o preço de estudante das quartas-feiras - 8euros.
Normalmente, minha explicação varia de acordo com meu humor, atual estado financeiro e previsão de gastos do próximo mês:
“O corte é meio esse ai, só que (1)curto/(2)muito curto/(3)é só pra dar uma acertada! E eu tenho dois redemoinhos (e aponto)”
Em alemão, porém, a última parte foi amputada.. não preciso explicar o porque né?!
Então se nas futuras fotos eu aparecer com um pseudo-topete somente do lado direito ou um aparente mullet, saibam que não é meu novo estilo, mas sim uma conseqüência da deficiência de comunicação.
Ontem, segunda, fez uma semana desde que voltei de Berlim e fui gentilmente acolhido no McDonald’s.
Pensei numa forma de agradecê-los. Algo simples, generalizado e desprovido de qualquer real valor financeiro: Brigadeiros!!
Eu disse "simples"? Retiro-o.
Comecei com o pé errado: Fui ao mercado e esqueci a carteira. Passo no campus e pego dinheiro emprestado, volto às compras.
Ponho na panela, esquento. Fez bolhas e deu pra ver o fundo. Tiro do fogo, espero esfriar e já estava no ponto certo... pra quem quer lambuzar a mão de chocolate e depois lamber a ponta dos dedos!!
Tento fazer uma bola que quase escorre entre meus dedos.
Venho ao computador pedir ajuda a qualquer um que esteja online. Vai pra geladeira... e continua mole num peculiar formato de pizza brotinho:
Pior não poderia ficar. Que comece a apelação: Volta pro fogo... direto pro freezer e finalmente (rufam tambores!) consigo fazer algo oval:
X-X
Meia-noite, mesmo horário da semana passada. Mesmo frio.
Dessa vez, munido de um mapa descente e detalhado, pego uma bicicleta emprestada e lá vou eu entregá-los – intencionava chegar no horário de fechamento.
Chego 15min antes de fecharem e.. simplesmente não há ninguém que eu reconheça.
Dei voltas no drive-thru, entrei no estabelecimento, procurei no estacionamento o carro do que me deu carona e olhei por dentro da janela da sala do gerente... NADA. Eu não contei com a mudança de funcionários numa segunda-feira!
Bom pra quem mora aqui: Agora vou empurrar essa brigadeirada toda goela a baixo de cada um e dizer: "Sobremesa brasileira!!" porque nem a pau vou pedalar 12km de novo, a noite, pra entregar estes brigadeiros...
domingo, maio 30, 2010
Faz dois meses que estou aqui..
Dois meses desde a primeira cerveja;
..a primeira lingüiça;
..a primeira vez que alguém me disse algo em um bom alemão e eu não entendi neca-de-pitibiriba.
Pensei em lançar tópicos curtos abrangendo ao máximo meu cotidiano.. mas e ai? Sobre o que eu escreveria em toooodos os próximos meses que me restam? Portanto, me restringirei a somente um:
Adaptação: 97% concluída.
Meu estomago (ou seria minha língua?) é quem tem tido alguns problemas para se acostumar com tantas ausências.
Farofa, feijão, coxinha de galinha, açaí do Novo Leblon, bifeS grandes gordos e mal passados... suco de laranja com mamão, guaraná natural, caipirinha de maracujá, água de coco, batida de cocaju.. e o pior deles: MATE!
Não trouxe se quer um grama de chá. De qualquer forma, não há mala grande suficiente que seja possível atender a minha insustentável ex-demanda..
Mas o importante é se REadaptar. Minha crise de abstinência me tornou um exímio tomador de Coca/Pepsi. O balanço do bimestre? Segue...
Só espero que a abstinência não tenha reflexos em minha volta.
Por pior que seja, trocar mate por coca é financeiramente viável.. mas pra estar de volta ao Rio e viver de cerveja alemã comprada no Zonal Sul, será necessário ao menos uma quina acumulada da Mega-Sena.
PS: Eu sou um colecionador de garrafa PET?
Eu guardei-as pra medir meu consumo bimestral?
Nada disso.. cada garrafa dessa vale em torno de 8 a 12 cents quando eu as retorno ao mercado... acontece que nunca as retornei! dai o acúmulo.
Estou concentradamente estudando em meu quarto (sim! às vezes isso acontece) quando começa uma barulheira na varanda. Som alto, gente falando.
Apos uns 20mins, no melhor estilo "se não pode vencê-los..." lá também fui eu !
Não era nenhum churrasco e nem uma festa.
Todos estavam sentados assistindo a TV que alguém levou.
Logo me explicaram: era o Eurovision Song Contest.
Um concurso entre de artistas europeus, onde cada país tem um representante.. fui logo avisado que a Alemanha nunca ganha! haha
Assisti descompromissadamente.
Ao final das apresentações cada país vota nos demais e vem o ranking pontuado pro cada um dos 39 países participantes.
Contagiante:
Não tem como você estar rodeado de pessoas torcendo e não se deixar contagiar...
No inicio eu sorria a cada boa pontuação e tal... (não precisa assistir mais q 2minutos do vídeo)
lá pelo vigésimo quinto país votante eu já xingava e vibrava igualmente!!
Ao final, Alemanha campeã disparada!
e vai ai o vídeo de uma apresentação solo e desinteressante... mas VENCEDORA:
Sexta passada fui usa-la e não a encontrei no meu alojamento.. refleti um tempo e supus que a havia deixado no outro alojamento desda semana anterior. Mas era sexta, eu viajaria de madrugada.. deixei pra pega-la quando voltasse de Berlim.
Ontem fui andando pela rua buscando o cadeado mangueirense (é mais fácil que procurar por uma bicicleta prateada).
Achei o cadeado.. me aproximei e kein Fahrrad.
O mais curioso foi a forma como ela foi roubada: (Sempre verifico se o cadeado fechou pois ele não tranca sozinho... é preciso encaixa-lo e então virar a chave)
Mas o cadeado estava lá, preso ao poste e muito bem trancado!!
Verifiquei se o haviam quebrado, mas não... ele ainda funciona bem, obrigado!
Já que o ladrão fez a gentilesa de me deixar o cadeado e ainda de tranca-lo bem para que nenhuma pessoa má intencionada pudesse rouba-lo! O q seria um absurdo..
Resolvi apelar para o lado emocional.
Voltei hoje e coloquei por lá uma carta a minha bicicleta "fugitiva" na esperança de que ela volte.
É muito fácil ser agradável quando se quer, não?!
E se você for minimamente criativo, perceptível ou apenas prestar a atenção à comentários aleatórios... lhe custará algo irrisório!
Como não fui a Pragua com os outros, o mexicano e o turco me trouxeram cerveja!!!
O tipo Pilsen de cerveja foi criado na Republica Tcheca.
A da direita foi embora na hora que recebi. A outra, de hoje não passa!
Quarta surgiu a opção Berlim com uma carioca, que esta morando em Paris. Estava a 1hora e meia de viagem e a 19euros de distância, mas não sabia ainda que horas chegava lá portanto esperei pra comprar a passagem.
Talvez tenha esperado de mais: 1:30 da madrugada de quarta para quinta entro no site e verifico que estou mais longe um pouco: 1hora e meia de viagem e 42euros, pois havia perdido o preço de compra antecipada.
Precisava de uma solução para estar em Berlim às 9h de sábado. Encontrei uma mulher que disponibilizava uma passagem por 12euros numa cidade a 40min daqui... lá fui eu pras minhas mais de 3hrs de viagem!
X-X
O albergue fica no lado oriental da cidade.. não foi preciso olhar no mapa pra isso. Via-se pelos largos prédios lado a lado, de desenho simples.
Chegamos bem a tempo de pegar aquele turismo gratuito caminhando pela cidade - o mesmo ao qual me referi em Amsterdam.
Brandenburguer Tor
Memorial as vitimas do holocaustro - e... esqueci!
Nessa viagem eu me superei.. tirei muito poucas fotos! Percebe-se não?
Após mais de 3hrs de caminhada, nada mais justo do que tirar um cochilo no gramado da Ilha de Museus.
Pro tempo que nos sobrava no dia: cúpula do parlamento.
Começamos a noite nos juntando a um amigo brasileiro, que estava aquele dia em Berlim, pra “assistir” ao 2º tempo da final da Liga do Campeões. Seguimos pra uma região onde sabíamos que haviam vários bares.
Me deparei num edifício decrépito, totalmente pichado por dentro: Entramos!
(as fotos que se seguem não são minhas!!!)
Bares/Boates em todos os andares do prédio e no fundo, há um descampado com uma galeria de arte ao canto e o melhor: Um Bier Garten no mesmo estilo underground.
(tb não...)
Saindo do pátio dos fundos, totalmente desconcentrado na vida, olhando a minha volta, eis que uma criatura se apóia numa placa de metal, que por sua vez tomba... NO MEU PÉ!!
A caminho de casa, entro na estação do metro e há um Pub Irlandês ao lado da escada rolante! Última cervejinha pra encerrar a noite? Com direito a música folclórica ao vivo e é claro, homens vestindo saias quadriculadas...
Um dia menos típico:
Pela manhã, mercado de pulgas (Flohmarkt) e, como bom turista: cerveja de trigo e salsicha no pão!
De tarde fomos a um tour “alternativo” com a mesma guia do freetour (posso juntar essas palavras? Ou peguei essa mania do alemão e estou desaprendendo todo o resto?)
Arte de rua, prédios tomados, pinturas no lado ocidental do Muro, ...
Descobrimos que a estação de trem que freqüentávamos desde o dia anterior é DO LADO de uma parte do antigo Muro de Berlim.
E a placa que caiu no meu pé, nada mais é do que a Placa de Entrada do Tacheles!!
Que significa em Iídiche (lingua que eu não sabia que existia até sábado! - Sim, pode anotar esse comentário pra tirar sarro da minha cara) algo como: diálogo direto/honesto.
Me sinto até honrado por ter sido atingido por um patrimonio cultural!!
Havia dois pontos distintos do evento.
O trem chegava por um viaduto por cima da área. Muuuuuuuuiiiiiiiita gente.
Sabia que encontraria algo fora do contexto de carnaval de qualquer brasileiro, mas o que vi em nada me decepcionou.
Até rolou uma batucada maneira!!
A noite nos juntamos ao Pub Crawl.
É um “tour” de bares:
Você vai ao primeiro bar e ganha cerveja de graça;
no segundo ganha shots pra cada cerveja comprada;
no terceiro eu mendiguei um shot extra;
no quarto estava agradecido de não me darem mais shot nenhum;
e o quinto é uma boate...!!
Nos dirigimos ao metro, verificamos nossa posição no mapa: uma estação de distância.
Bora voltar caminhando pelo Muro?
"Você aprendeu o que liberdade significa, nunca mais o esqueça"
(tirei um "e" pra ficar melhor)
Há trechos “livres” no muro para quem quiser escrever ou desenhar..
Caneta a mão!
Toda peripécia tem seu preço... o meu foi uma calça rasgada!
Meu último dia em Berlim foi o típico último dia de viagem: tempo chuvoso, preguicite pra levantar da cama, caminhadas lentas e despreocupadas..
Provei um prato conhecido local: O Schntzel alemão!! Que nada mais é que um filé empanado... nem toda experiência gastronômica pode ser vantajosa não?!
O Museu judaico tinha, alem da exposição permanente, a “Até os super-heróis tem seus dias ruins”
E pra minha série de “palhaçadas”, lá estava o super-homem:
1ª tentativa, 2ª tentativa, 3ª ...
Eu realmente deveria ter praticado minha bananeira antes de ir ao museu!
De volta ao Memorial ao Holocausto, a chuva do dia deu um charme a mais as pilastras de concreto.
O monumento são varias fileiras que se pode caminhar livremente por um terreno desnivelado. Os blocos tem tamanhos distintos e alguns inclinados. A inspiração vem de um cemitério... e você realmente consegue ver a semelhança quando o olha por cima ou de longe.
Caminhar livremente ali dentro, pacientemente - sem a muvucada do free tour, gera uma sensação estranha.
Um pulo no parque pra constar:
Dificuldade Cultural:
Na maioria dos transportes públicos da Alemanha que usei (com excessão de alguns onibus) você simplesmente embarca! Não há roleta, não há cobrador.. NADA te impede de entrar.
Dai a grande dificuldade advinda da "má malandragem brasileira": Pagar!
É incrível a tentação de não comprar um bilhete, de preferir correr o risco de encarar uma fiscalização.
Se compramos bilhetes?! É claro... 4 bilhetes pro final de semana.
Tá ai minha contribuição pro transporte público da cidade. =P
Volta pra casa:
Corro por albergue, pego a mochila, corro pro metro: entrada em obra!
Pergunto a álguem na rua por outra... pego o primeiro trem, 4 estações, baldeio.
Cidade grande demora. 21:55 e ainda faltavam 5 estações.
Liguei pro cara da carona e disse onde estava. Ele concordou em esperar.
Saio correndo que nem um louco pra fora da estação de encontro já 9 minutos atrasado e...onde que ele tá?
Ligo sob grande tensão, ele esta num posto de gasolina, mas aonde? não entendi porra nenhuma!!!
Havia uma moça do lado parada, perceptivelmente curiosa sobre aquela pessoa de mochilão, ofegante dando voltas em torno de si mesmo: Pedi pra ela conversar com o mitfahrer e me explicar! hahahahah
Sorte que a moça era mais mt mais esperta que ele e fez as perguntas certas.
Volta a correria: duas quadras, atravesso a pista fora da faixa, pulo um arbusto no canteiro central, outra pista e estou no ponto de encontro.
Ufa.. agora eu vou pra casa?! Não exatamente...
Volta pra casa, II Capítulo:
A carona era na verdade uma van de transporte coletivo. Somente eu viria para Braunschweig. O ponto onde ele me deixaria estava a 6km de casa, como eu havia conferido no googlemaps.
Chegando em Braunschweig de madrugada, desci da van. Um puuuuuta frio e eu não tinha a MENOR idéia de onde estava!
Fui ao McDonald em frente, comer algo e pedir informação: Fechado!
Fui ao drive-thru e havia um funcionário do lado de fora. Ele não sabia explicar muito bem e chamou outro..
Eles mesmo falaram que o caminho era meio complicado de descrever, tentaram desenhar num papel pra mim. (as ruas passam por dentro do complexo industrial)
Perguntaram se eu não conhecia ninguem com carro que eu pudesse ligar (e realmente eu não conheço)
Eis que o de caneta na mão conclui com toda sua habilidade cartográfica o desenho de mapa ao lado e me diz:
"Então você vai por ali." - enquanto eu girava discretamente o caderno tentando entender onde começava -
"... é, hum.. ou se você quiser esperar uma hora eu posso te deixar em algum lugar"
Não pestanejei: Aceitei
Eu sei que algum dia vou acabar me dando mal nessas situações... mas pelo menos, não foi dessa vez!
Ele volta 5 minutos depois: Quer algo pra beber?
Prontamente recusei!
Não teve jeito... 15 minutos depois estava dentro do estabelecimento fechado, sentado em frente a uma bandeja.
Pra contribuir ainda mais com minha vergonha, outro funcionário me trouxe uma salada de frutas e disse: "pra mais tarde! esconde ai"